LER/DORT: uma doença ocupacional silenciosa
LER/DORT é uma doença ocupacional que, embora amplamente conhecida, ainda é subestimada em muitos ambientes de trabalho¹. A sigla, que significa Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, reúne um conjunto de condições que afetam músculos, tendões, nervos e articulações, principalmente dos membros superiores, mas que também podem atingir ombros, coluna e região cervical.
Nesse sentido, falar sobre LER/DORT vai muito além de abordar dores pontuais ou desconfortos passageiros. Trata-se, antes de tudo, de compreender como a organização do trabalho, a repetição de movimentos, a sobrecarga física e até fatores psicossociais contribuem para o adoecimento do trabalhador. Além disso, quando não diagnosticada e tratada precocemente, essa doença ocupacional pode gerar afastamentos prolongados, perda de produtividade e impactos significativos na qualidade de vida.
Ao longo deste texto, vamos explicar o que é LER/DORT, quais são suas principais causas e sintomas, como ocorre o diagnóstico, quais são as opções de tratamento e, principalmente, como a prevenção pode ser uma aliada estratégica tanto para empresas quanto para profissionais da área da saúde.
O que é LER/DORT e por que ela é considerada uma doença ocupacional
LER/DORT é classificada como uma doença ocupacional porque está diretamente relacionada às condições e à organização do trabalho. Em outras palavras, seu surgimento não acontece de forma aleatória, mas sim como resultado de atividades repetitivas, esforços excessivos, posturas inadequadas e ausência de pausas regulares.
Historicamente, a LER/DORT ganhou maior visibilidade a partir do aumento de trabalhos mecanizados e, posteriormente, com a popularização do uso de computadores. Entretanto, atualmente, ela não se restringe apenas a ambientes administrativos. Pelo contrário, profissionais da indústria, da saúde, do comércio e até do setor de serviços estão expostos a riscos semelhantes.
Além disso, é importante destacar que a LER/DORT não é uma única doença, mas um conjunto de síndromes e inflamações, como tendinites, bursites, síndrome do túnel do carpo, epicondilites e tenossinovites. Todas essas condições compartilham um ponto em comum: a relação direta com o trabalho e com a repetição de movimentos ao longo do tempo.

Principais causas da LER/DORT no ambiente de trabalho
Quando falamos em LER/DORT, é fundamental compreender que suas causas são multifatoriais. Ou seja, dificilmente um único fator isolado explica o desenvolvimento dessa doença ocupacional. Em vez disso, diversos elementos se combinam e aumentam o risco de adoecimento.
Entre as principais causas, podemos destacar:
- Movimentos repetitivos realizados por longos períodos, sem pausas adequadas;
- Posturas inadequadas, especialmente em atividades que exigem permanência prolongada na mesma posição;
- Esforço físico excessivo, como levantamento de peso ou uso intenso de força manual;
- Jornadas extensas de trabalho, que reduzem o tempo de recuperação muscular;
- Fatores psicossociais, como estresse, pressão por produtividade e falta de autonomia;
- Ambientes ergonomicamente inadequados, com mobiliário e equipamentos mal ajustados.
Além disso, vale ressaltar que a soma desses fatores potencializa os riscos. Por exemplo, um trabalhador que realiza movimentos repetitivos, sob pressão constante e sem pausas regulares, tem chances significativamente maiores de desenvolver LER/DORT ao longo do tempo.
Sintomas mais comuns
Os sintomas da LER/DORT podem variar de acordo com o tipo de lesão, a região afetada e o estágio da doença. No entanto, de modo geral, eles costumam evoluir de forma progressiva, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.
Inicialmente, os sinais podem ser sutis, como:
- Sensação de peso ou cansaço muscular;
- Desconforto leve após a jornada de trabalho;
- Dores intermitentes que melhoram com o repouso.
Com o passar do tempo, entretanto, os sintomas tendem a se intensificar. Assim, podem surgir:
- Dor persistente, mesmo fora do ambiente de trabalho;
- Formigamento e dormência, especialmente em mãos e braços;
- Redução da força muscular;
- Limitação de movimentos;
- Sensibilidade ao toque.
Em casos mais avançados, a LER/DORT pode causar incapacidade funcional temporária ou até permanente, o que impacta diretamente a vida profissional e pessoal do trabalhador.

Como é feito o diagnóstico da LER/DORT
O diagnóstico da LER/DORT é clínico e deve ser realizado por um profissional de saúde qualificado. De modo geral, ele envolve uma avaliação detalhada do histórico ocupacional do paciente, associada ao exame físico e, quando necessário, a exames complementares².
Nesse processo, o relato do trabalhador é fundamental. Isso porque a descrição das atividades exercidas, da rotina de trabalho e da evolução dos sintomas ajuda a estabelecer o nexo entre a lesão e o ambiente ocupacional.
Além disso, exames como ultrassonografia, ressonância magnética e eletroneuromiografia podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico ou descartar outras condições. Ainda assim, é importante destacar que nem sempre os exames de imagem apresentam alterações significativas, especialmente nas fases iniciais da doença.
Por isso, o olhar clínico e a escuta atenta do profissional de saúde são essenciais para evitar atrasos no diagnóstico e no início do tratamento.
Tratamento: uma abordagem multidisciplinar
O tratamento da LER/DORT deve ser individualizado e, preferencialmente, multidisciplinar³. Em outras palavras, não existe uma única solução válida para todos os casos. Pelo contrário, a combinação de diferentes estratégias costuma trazer melhores resultados.
Entre as abordagens mais utilizadas, destacam-se:
- Repouso relativo e afastamento temporário das atividades que desencadeiam a dor;
- Fisioterapia, com foco em fortalecimento muscular, alongamento e reeducação postural;
- Uso de medicamentos, como analgésicos e anti-inflamatórios, quando indicados;
- Terapias ocupacionais, que auxiliam na adaptação das atividades diárias;
- Mudanças ergonômicas no ambiente de trabalho;
- Acompanhamento psicológico, especialmente em casos associados a estresse e sofrimento emocional.
Além disso, é fundamental que o retorno ao trabalho seja planejado de forma gradual, respeitando os limites do trabalhador e evitando recaídas. Nesse contexto, o diálogo entre empresa, profissionais de saúde e colaborador é indispensável.
A importância da prevenção da LER/DORT nas empresas
Quando falamos em LER/DORT como doença ocupacional, a prevenção assume um papel central. Afinal, investir em medidas preventivas é mais eficaz — e menos oneroso — do que lidar com afastamentos, tratamentos prolongados e perda de produtividade.
Entre as principais estratégias de prevenção, podemos citar⁴:
- Adequação ergonômica dos postos de trabalho;
- Implementação de pausas regulares durante a jornada;
- Programas de ginástica laboral;
- Treinamentos sobre postura e organização do trabalho;
- Incentivo à comunicação sobre dores e desconfortos iniciais;
- Promoção de um ambiente organizacional mais saudável.
Além disso, a atuação integrada entre setores de saúde, segurança do trabalho e gestão de pessoas fortalece a cultura de cuidado e reduz significativamente os riscos de LER/DORT.
O papel da indústria farmacêutica e da saúde na LER/DORT
A indústria farmacêutica e os profissionais da saúde desempenham um papel essencial no enfrentamento da LER/DORT. Por um lado, medicamentos adequados auxiliam no controle da dor e da inflamação, contribuindo para a recuperação funcional. Por outro, a orientação correta sobre o uso desses recursos evita a automedicação e possíveis efeitos adversos.
Além disso, iniciativas de educação em saúde, baseadas em informação de qualidade, ajudam a conscientizar trabalhadores e empresas sobre a importância do diagnóstico precoce e da prevenção contínua.
Nesse cenário, falar sobre LER/DORT é também reforçar o compromisso com a saúde do trabalhador e com práticas responsáveis no cuidado ocupacional.
Considerações finais
A LER/DORT é uma doença ocupacional complexa, multifatorial e altamente prevalente, especialmente em um contexto de trabalho cada vez mais intenso e repetitivo. Por isso, compreender suas causas, reconhecer seus sintomas e investir em prevenção são passos fundamentais para reduzir seus impactos.
Mais do que tratar a dor, é necessário olhar para o trabalho de forma integrada, considerando aspectos físicos, organizacionais e emocionais. Assim, empresas, profissionais de saúde e trabalhadores podem atuar juntos na construção de ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.
Continue navegando pelo Blog e Siga a Supera Farma nas redes sociais para acompanhar mais conteúdos como esse!
Referências:
1- Sociedade brasileira de reumatologia – acesso em 12/01/2026
2- Portal Drauzio Varella – acesso em 12/01/2026
3- Tua Saúde – acesso em 12/01/2026
4- GOV.br – acesso em 12/01/2026
