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Hipertensão gestacional: o que é, riscos e como cuidar da saúde

7 minutos de leitura

A hipertensão gestacional é uma condição que merece atenção especial durante a gravidez, pois pode trazer riscos tanto para a gestante quanto para o bebê. Embora muitas mulheres nunca tenham apresentado pressão alta antes da gestação, alterações hormonais e fisiológicas próprias desse período podem favorecer o surgimento do problema.

Além disso, a hipertensão gestacional costuma se manifestar após a 20ª semana de gravidez, o que reforça a importância do acompanhamento pré-natal regular. Quando diagnosticada precocemente, é possível adotar medidas que reduzem complicações e promovem uma gestação mais segura.

Por isso, compreender o que é a hipertensão gestacional, quais são seus sintomas, fatores de risco e formas de controle ajuda a tomar decisões mais conscientes ao longo da gravidez. Ao longo deste texto, você encontrará informações práticas, baseadas em evidências científicas, para cuidar melhor da saúde nesse período tão importante.

O que é hipertensão gestacional

A hipertensão gestacional é caracterizada pelo aumento da pressão arterial durante a gravidez, geralmente após a 20ª semana, em mulheres que não apresentavam hipertensão anteriormente¹.

Como a pressão arterial se altera na gravidez

Durante a gestação, o corpo passa por diversas adaptações. O volume sanguíneo aumenta, o coração trabalha mais e os vasos sanguíneos sofrem alterações para suprir as necessidades do feto. Entretanto, em algumas mulheres, essas mudanças não ocorrem de forma equilibrada.

Como resultado, a pressão arterial pode se elevar acima dos valores considerados normais, ou seja, acima de 140/90 mmHg em medições repetidas².

Diferença entre hipertensão gestacional e outras condições

É importante diferenciar a hipertensão gestacional de outras formas de pressão alta na gravidez. A hipertensão crônica, por exemplo, já existe antes da gestação ou é diagnosticada antes da 20ª semana. Já a pré-eclâmpsia envolve hipertensão associada a outros sinais, como presença de proteína na urina.

Principais sintomas da hipertensão gestacional

Nem sempre a hipertensão gestacional provoca sintomas evidentes. Ainda assim, alguns sinais podem surgir e merecem atenção.

Sintomas mais comuns

Entre os sintomas que podem aparecer, destacam-se:

  • Dor de cabeça persistente
  • Inchaço excessivo em mãos, pés e rosto
  • Visão embaçada ou sensibilidade à luz
  • Náuseas e mal-estar
  • Tontura

No entanto, é importante ressaltar que muitos desses sintomas também podem ocorrer em uma gravidez normal. Por isso, a aferição regular da pressão arterial é indispensável³.

Quando os sintomas indicam gravidade

Quando os sintomas se intensificam ou surgem de forma repentina, o risco de evolução para quadros mais graves aumenta. Nesses casos, a avaliação médica imediata se torna essencial para proteger a saúde da mãe e do bebê.

Fatores de risco para hipertensão gestacional

Algumas mulheres apresentam maior probabilidade de desenvolver hipertensão gestacional ao longo da gravidez.

Fatores individuais

Entre os principais fatores de risco, estão:

  • Primeira gestação
  • Idade materna acima de 35 anos
  • Histórico familiar de hipertensão
  • Sobrepeso ou obesidade
  • Gravidez múltipla

Além disso, condições pré-existentes, como diabetes e doenças renais, também elevam o risco⁴.

Influência do estilo de vida

Embora fatores genéticos tenham papel importante, hábitos de vida também influenciam. Alimentação rica em sódio, sedentarismo e estresse excessivo podem contribuir para o aumento da pressão arterial durante a gestação.

Fonte da imagem: Canva.

Possíveis complicações da hipertensão gestacional

Quando não monitorada adequadamente, a hipertensão gestacional pode gerar complicações relevantes.

Riscos para a gestante

A pressão alta pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e renal da gestante. Além disso, há maior risco de evolução para pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP, condições que exigem atenção médica intensiva⁵.

Riscos para o bebê

Do ponto de vista fetal, a hipertensão gestacional pode reduzir o fluxo sanguíneo para a placenta. Como consequência, o bebê pode apresentar restrição de crescimento, baixo peso ao nascer ou necessidade de parto prematuro.

Diagnóstico da hipertensão gestacional

O diagnóstico depende principalmente da medição regular da pressão arterial durante o pré-natal.

Como é feito o diagnóstico

O profissional de saúde avalia a pressão arterial em consultas sucessivas. Caso os valores permaneçam elevados após a 20ª semana, sem sinais de hipertensão anterior, considera-se o diagnóstico de hipertensão gestacional.

Além disso, exames complementares, como análise de urina e exames de sangue, ajudam a descartar outras condições associadas.

Importância do pré-natal

O acompanhamento pré-natal permite identificar alterações precocemente. Dessa forma, é possível intervir antes que surjam complicações mais graves.

Tratamento e controle da hipertensão gestacional

O tratamento da hipertensão gestacional depende da gravidade do quadro e das condições clínicas da gestante.

Mudanças no estilo de vida

Em casos leves, ajustes no estilo de vida podem ajudar no controle da pressão. Entre as orientações mais comuns, estão:

  • Redução do consumo de sal
  • Alimentação equilibrada e rica em nutrientes
  • Prática de atividades físicas leves, com orientação profissional
  • Descanso adequado

Essas medidas contribuem para a saúde geral da gestante e auxiliam no controle da pressão arterial.

Uso de medicamentos

Quando necessário, o médico pode indicar medicamentos seguros para uso durante a gravidez. O objetivo é manter a pressão em níveis adequados sem prejudicar o desenvolvimento do bebê⁶.

Prevenção da hipertensão gestacional

Embora nem sempre seja possível evitar a condição, algumas estratégias reduzem o risco.

Cuidados antes da gravidez

Mulheres que planejam engravidar podem se beneficiar de avaliação médica prévia. O controle do peso, da alimentação e de doenças crônicas contribui para uma gestação mais segura.

Acompanhamento durante a gestação

Durante a gravidez, manter consultas regulares, seguir orientações médicas e relatar qualquer sintoma diferente fazem toda a diferença. Além disso, a atenção à alimentação e ao descanso auxilia na prevenção de complicações.

Fonte da imagem: Canva.

Pós-parto e hipertensão gestacional

Na maioria dos casos, a pressão arterial retorna aos níveis normais após o parto. No entanto, o acompanhamento continua sendo importante.

Cuidados após o nascimento do bebê

Após o parto, o monitoramento da pressão deve continuar por algumas semanas. Isso ocorre porque algumas mulheres podem manter níveis elevados temporariamente.

Risco futuro de hipertensão

Mulheres que tiveram hipertensão gestacional apresentam maior risco de desenvolver hipertensão arterial crônica no futuro. Por isso, hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular permanecem fundamentais⁷.

Conclusão

A hipertensão gestacional é uma condição que exige atenção, informação e acompanhamento adequado. Embora possa surgir de forma silenciosa, seus impactos podem ser significativos quando não identificados precocemente.

Com pré-natal regular, mudanças no estilo de vida e, quando necessário, tratamento adequado, é possível reduzir riscos e promover uma gestação mais segura. Informação de qualidade, aliada ao cuidado contínuo, fortalece decisões conscientes ao longo da gravidez.

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Fontes

1- Organização Mundial da Saúde (OMS) – Hypertensive disorders of pregnancy.
2- Ministério da Saúde – Gestação de alto risco.
3- Mayo Clinic – Gestational hypertension.
4- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG).
5- National Institutes of Health (NIH).
6- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
7- Centers for Disease Control and Prevention (CDC).